A minha esperança é que todo esse ecossistema de rede social entre em colapso na mesma velocidade que modificou nossas vidas. Não fomos feitos pra esse nível de saturação e performance, em 15 anos todo o setor de serviço se submeteu a ter que trabalhar pra 2 ou 3 bigtech para assim conseguir trabalho, isso é tão ridículo e tão revoltante pra min. Mas minha esperança tem base,já temos sinais de desgaste estruturais, reações e regulamentações em discussão. E a guerra que está por vir( se é que já não estamos nela)pode acelerar esse colapso.
Eu não trabalho com mídias, exceto um canal do YouTube de um hobby meu -- acho mais saudável que o funcionamento do insta. Criei uma comunidade do meu canal por fora, no discord, e todo mundo já sabe que já posto quando posso, para eu não sentir essa pressão de precisar postar muito para aparecer para quem me segue.
No Instagram já passei das 1000 contas seguidas, e já coloquei um timer de 5 minutos para não ficar vendo muito. Estou considerando muito apagar a conta e criar do zero, e só seguir quem conheço. Limpar as contas para tirar umas 800 seguidas parece algo que vai dar muito trabalho...
Fiz essa mudança nos últimos anos, fui saindo aos poucos de todas as redes sociais. Recentemente, retornei com o Bluesky, te encontrei por lá, pesquisando pessoas que acompanhava e admirava. Através de você encontrei o Substack, estou adorando, justamente pelo silêncio aqui rs.
Durante o texto fiquei refletindo, algumas profissões anteriormente não tinham a preocupação de pressão das redes sociais, era apenas o concurso.
Atualmente houve uma mudança que vai empurrar para esse limbo da performance, que tenho visto cada vez mais.
Estou falando das novas regras da Capes para professores e pesquisadores universitários.
Se eu não me engano é para o triênio 2025-2028. Não deixam claro a presença nas redes. Mas um dos pontos é a relevância (quantidade de citações) de um artigo. E aí já tem se criado essa prática de divulgação a partir das redes.
Com o fim do sistema qualis de revista, é a tendência mesmo. Nas súmulas curriculares pra pós-doc e projetos sênior a gente já tem que colocar citações via google scholar ou web of science também. :/
Gostei demais do texto. Vez ou outra me percebo assoberbado pelas redes sociais que ainda tenho. Ano passado cheguei a apagar a maioria no início do ano e fiz o mesmo neste início de ano, mantendo apenas o Substack e o WhatsApp. No entanto, a pressão social de amigos e conhecidos que seguem utilizando as redes sempre pesa e me faz voltar. Talvez a limpa sugerida aqui seja uma solução mais sustentável. Vou tentar quando voltar. Ainda assim sigo defendendo umas "férias" das redes sociais sempre que for possível. A mente parece que funciona mais rápido, a ansiedade diminui, o tempo rende,... É uma delícia!
Ótimo texto! Tem uma dica que alivia um pouco essa característica no Instagram, tirando sugestões de conteúdos e anúncios. Ou seja: feed cronológico só com o que você segue.
No app, basta clicar no logo grande central, lá em cima: "Instagram" (o botão fica escondido mesmo). Aí, abre um menu "drop-down" com opção de feed cronológico ("seguindo") e favoritos.
Obrigada Luciano!! E depois de colocar a opção do feed em seguindo, fica mais fácil ir deixando de seguir tudo que tá aparecendo demais no feed e não faz sentido! 💙
Eu estou na mesma vibe. E como passei por uns meses horríveis neste final do ano, eu decidi simplesmente desativar a minha conta no Instagram e foi a melhor coisa que eu fiz! Uma faxina mental mesmo. Voltei a ter aquela sensação da internet das antigas, em que eu não precisava ficar sabendo tudo o que os outros estão fazendo e pensando o tempo todo. Contato com família e amigos? Tem o whatsapp pra isso. E é bom porque no whatsapp eu realmente preciso falar com a pessoa, diferente do Instagram em que, muitas vezes, a gente vê um post de aniversário e dá uma curtida como se substituísse dar os parabéns. E eu também tenho um interesse genuíno em saber mais sobre a vida das pessoas, já que não estou sabendo em tempo real o que está acontecendo.
No LinkedIn, antigamente eu aceitava todo mundo e minha timeline ficou horrível. Agora não aceito mais convites aleatórios e tenho desfeito ou silenciado conexões para manter apenas o que realmente me interessa saber. E mantenho o Bluesky como fonte de informação e diversão, como se fosse o Twitter antigo. Está sendo ótimo!
Eu acho triste quem precisa ficar refém das redes para poder trabalhar, mas também não tenho certeza de que tipo de regulamentação mudaria essa relação. Por menos tóxicas que se tornassem, elas ainda são empresas privadas que ainda manteriam seus algoritmos e não permitiriam que as pessoas ganhassem dinheiro sem se submeter ao que elas ditam. Foi exatamente quando o Facebook percebeu que as pessoas estavam vendendo coisas e usando de forma comercial que eles mudaram o algoritmo, o alcance, começaram a cobrar para entregar e aí foi só evoluindo até chegarmos ao que temos hoje nas plataformas. É ingênuo achar que seu perfil numa bigtech pertence a você - e digo isso como alguém que já teve uma página grande de série que foi deletada pela Meta sem nenhuma explicação. No entanto, eu tenho percebido que cada vez mais gente comum está ficando saturada de usar as redes e fico com esperanças de que, em breve, surja algo novo, algum movimento, não sei, que melhore nossa presença na internet - pra quem faz e pra quem consome.
Eu tenho tentado ver se volto pro Instagram para manter contato com familia e amigos, principalmente por morar no exterior.
Fiz uma limpa recentemente, parei de seguir mais de 1000 contas e quero pontuar algo relevante que percebi no processo: a experiência de usabilidade do aplicativo não é nada direcionada para viabilizar esse tipo de limpeza ou seleção dos contatos! Isso diz muito sobre como esses aplicativos funcionam, e para além dos algoritmos, é um exemplo do enorme controle incorporado nessas dinâmicas.
Eu fui me desligando do Instagram aos poucos nos últimos anos por causa de problemas sérios de saúde física. Ainda assim, um certo sentimento de culpa existe quando penso nas pessoas que não respondi/respondo, o que me faz pensar que o simples fato de não interagir é visto como descaso - quase como se fosse um dever, ou até mesmo falta de educação. Além disso, mesmo podendo soar como um jeito meio tosco de pensar, acredito que existam pessoas que estão muito satisfeitas em acompanhar de camarote a vida dos outros sendo difícil, menos feliz, menos confortável que as delas. Outras esperam que seja normalizado aceitar certas interações negativas, sem senso crítico: virou normal esperar uma certa indiferença nas conexões que existem nas redes sociais.
Basicamente: um saco de lidar. Parece cada vez um jeito insustentável e potencialmente negativo de direcionar nossa energia e atenção.
Desde de 2020 eu tenho uma guerra com as redes para vencer elas 100%, hoje, só sobrou o whatsapp sem aqueles status e com muita coisa trancada. não vejo coisas feitas pelos outros de forma passiva. Todo mundo a minha volta ta tão conectado que basta eu fazer uma pesquisa presencial humana que já fico por dentro das novidades da internet, e olha, tenho encontrado tantas novidades trocando sessão de instagram por conversa...
Bem, tenho o sApp para mensagens, o bol desde o inicio, gmail e outlook obrigatórios e aqui onde morro de inveja do pessoal que escreve bem e fico jogando ideia de jerico.
O texto toca em algo muito importante. Há, de fato, uma tendência no discurso vigente em colocar o usuário com mera vítima inocente dos algoritmos. É inegável o seu poder. Não se discute. Porém, é inegável que nós também podemos assumir minimamente o controle do que nos é passado com pequenas práticas. Quer dizer, há uma espécie de mão dupla aqui.
Claro que é muitas vezes difícil atuar com "racionalidade" diante de um turbilhão de estímulos, mas é algo a se pensar.
Eu só posso tentar imaginar como é depender de rede social pra tirar o ganha pão. Deve ser horrível.
Também lembrando da Legião Urbana, chega uma hora que o uso desmedido das redes nos transforma em "uma cópia do que faço"
Vejo muito isso, sempre penso pq será que a pessoa tem tanto seguidor se o conteúdo é meio bobo... tipo a americana que só faz gororoba de enlatados. Eu sou dessas que fez a limpa, não sigo nem parente, vou seguir gente que eu nem conheço só pela fofoca, eu heim!
A minha esperança é que todo esse ecossistema de rede social entre em colapso na mesma velocidade que modificou nossas vidas. Não fomos feitos pra esse nível de saturação e performance, em 15 anos todo o setor de serviço se submeteu a ter que trabalhar pra 2 ou 3 bigtech para assim conseguir trabalho, isso é tão ridículo e tão revoltante pra min. Mas minha esperança tem base,já temos sinais de desgaste estruturais, reações e regulamentações em discussão. E a guerra que está por vir( se é que já não estamos nela)pode acelerar esse colapso.
Ótimas indagações, Sabrina.
Eu não trabalho com mídias, exceto um canal do YouTube de um hobby meu -- acho mais saudável que o funcionamento do insta. Criei uma comunidade do meu canal por fora, no discord, e todo mundo já sabe que já posto quando posso, para eu não sentir essa pressão de precisar postar muito para aparecer para quem me segue.
No Instagram já passei das 1000 contas seguidas, e já coloquei um timer de 5 minutos para não ficar vendo muito. Estou considerando muito apagar a conta e criar do zero, e só seguir quem conheço. Limpar as contas para tirar umas 800 seguidas parece algo que vai dar muito trabalho...
Muito bom Sabrina!!!
Fiz essa mudança nos últimos anos, fui saindo aos poucos de todas as redes sociais. Recentemente, retornei com o Bluesky, te encontrei por lá, pesquisando pessoas que acompanhava e admirava. Através de você encontrei o Substack, estou adorando, justamente pelo silêncio aqui rs.
Durante o texto fiquei refletindo, algumas profissões anteriormente não tinham a preocupação de pressão das redes sociais, era apenas o concurso.
Atualmente houve uma mudança que vai empurrar para esse limbo da performance, que tenho visto cada vez mais.
Estou falando das novas regras da Capes para professores e pesquisadores universitários.
Eita, não tô sabendo dessa mudança. Pedindo presença de redes como disseminação científica?
Se eu não me engano é para o triênio 2025-2028. Não deixam claro a presença nas redes. Mas um dos pontos é a relevância (quantidade de citações) de um artigo. E aí já tem se criado essa prática de divulgação a partir das redes.
Com o fim do sistema qualis de revista, é a tendência mesmo. Nas súmulas curriculares pra pós-doc e projetos sênior a gente já tem que colocar citações via google scholar ou web of science também. :/
Gostei demais do texto. Vez ou outra me percebo assoberbado pelas redes sociais que ainda tenho. Ano passado cheguei a apagar a maioria no início do ano e fiz o mesmo neste início de ano, mantendo apenas o Substack e o WhatsApp. No entanto, a pressão social de amigos e conhecidos que seguem utilizando as redes sempre pesa e me faz voltar. Talvez a limpa sugerida aqui seja uma solução mais sustentável. Vou tentar quando voltar. Ainda assim sigo defendendo umas "férias" das redes sociais sempre que for possível. A mente parece que funciona mais rápido, a ansiedade diminui, o tempo rende,... É uma delícia!
isso eu gosto também. um detox ocasional faz bem demais pra cabeça e organiza prioridades.
Ótimo texto! Tem uma dica que alivia um pouco essa característica no Instagram, tirando sugestões de conteúdos e anúncios. Ou seja: feed cronológico só com o que você segue.
No app, basta clicar no logo grande central, lá em cima: "Instagram" (o botão fica escondido mesmo). Aí, abre um menu "drop-down" com opção de feed cronológico ("seguindo") e favoritos.
No computador, são essas duas URLs:
• https://www.instagram.com/?variant=following
Apenas o que você segue.
• https://www.instagram.com/?variant=favorites
Apenas favoritos.
Fiz um texto com algumas dicas do tipo, mas acho que essas do Insta são as mais importantes e que uso sempre. Espero que ajude mais pessoas. :)
Obrigada Luciano!! E depois de colocar a opção do feed em seguindo, fica mais fácil ir deixando de seguir tudo que tá aparecendo demais no feed e não faz sentido! 💙
Exatamente! :) Passei a fazer muito isso!
Eu estou na mesma vibe. E como passei por uns meses horríveis neste final do ano, eu decidi simplesmente desativar a minha conta no Instagram e foi a melhor coisa que eu fiz! Uma faxina mental mesmo. Voltei a ter aquela sensação da internet das antigas, em que eu não precisava ficar sabendo tudo o que os outros estão fazendo e pensando o tempo todo. Contato com família e amigos? Tem o whatsapp pra isso. E é bom porque no whatsapp eu realmente preciso falar com a pessoa, diferente do Instagram em que, muitas vezes, a gente vê um post de aniversário e dá uma curtida como se substituísse dar os parabéns. E eu também tenho um interesse genuíno em saber mais sobre a vida das pessoas, já que não estou sabendo em tempo real o que está acontecendo.
No LinkedIn, antigamente eu aceitava todo mundo e minha timeline ficou horrível. Agora não aceito mais convites aleatórios e tenho desfeito ou silenciado conexões para manter apenas o que realmente me interessa saber. E mantenho o Bluesky como fonte de informação e diversão, como se fosse o Twitter antigo. Está sendo ótimo!
Eu acho triste quem precisa ficar refém das redes para poder trabalhar, mas também não tenho certeza de que tipo de regulamentação mudaria essa relação. Por menos tóxicas que se tornassem, elas ainda são empresas privadas que ainda manteriam seus algoritmos e não permitiriam que as pessoas ganhassem dinheiro sem se submeter ao que elas ditam. Foi exatamente quando o Facebook percebeu que as pessoas estavam vendendo coisas e usando de forma comercial que eles mudaram o algoritmo, o alcance, começaram a cobrar para entregar e aí foi só evoluindo até chegarmos ao que temos hoje nas plataformas. É ingênuo achar que seu perfil numa bigtech pertence a você - e digo isso como alguém que já teve uma página grande de série que foi deletada pela Meta sem nenhuma explicação. No entanto, eu tenho percebido que cada vez mais gente comum está ficando saturada de usar as redes e fico com esperanças de que, em breve, surja algo novo, algum movimento, não sei, que melhore nossa presença na internet - pra quem faz e pra quem consome.
Reflexão necessária, Sabrina!
Eu tenho tentado ver se volto pro Instagram para manter contato com familia e amigos, principalmente por morar no exterior.
Fiz uma limpa recentemente, parei de seguir mais de 1000 contas e quero pontuar algo relevante que percebi no processo: a experiência de usabilidade do aplicativo não é nada direcionada para viabilizar esse tipo de limpeza ou seleção dos contatos! Isso diz muito sobre como esses aplicativos funcionam, e para além dos algoritmos, é um exemplo do enorme controle incorporado nessas dinâmicas.
Eu fui me desligando do Instagram aos poucos nos últimos anos por causa de problemas sérios de saúde física. Ainda assim, um certo sentimento de culpa existe quando penso nas pessoas que não respondi/respondo, o que me faz pensar que o simples fato de não interagir é visto como descaso - quase como se fosse um dever, ou até mesmo falta de educação. Além disso, mesmo podendo soar como um jeito meio tosco de pensar, acredito que existam pessoas que estão muito satisfeitas em acompanhar de camarote a vida dos outros sendo difícil, menos feliz, menos confortável que as delas. Outras esperam que seja normalizado aceitar certas interações negativas, sem senso crítico: virou normal esperar uma certa indiferença nas conexões que existem nas redes sociais.
Basicamente: um saco de lidar. Parece cada vez um jeito insustentável e potencialmente negativo de direcionar nossa energia e atenção.
"É o algoritmo agindo por si mesmo ou é o algoritmo agindo através de nós?" Grato, Sabrina. Boas festas.
Desde de 2020 eu tenho uma guerra com as redes para vencer elas 100%, hoje, só sobrou o whatsapp sem aqueles status e com muita coisa trancada. não vejo coisas feitas pelos outros de forma passiva. Todo mundo a minha volta ta tão conectado que basta eu fazer uma pesquisa presencial humana que já fico por dentro das novidades da internet, e olha, tenho encontrado tantas novidades trocando sessão de instagram por conversa...
Bem, tenho o sApp para mensagens, o bol desde o inicio, gmail e outlook obrigatórios e aqui onde morro de inveja do pessoal que escreve bem e fico jogando ideia de jerico.
Gente que segue quem me fez muito mal (e sabe disso), em geral, eu deixo de seguir. Não sou obrigada a conviver com quem normaliza quem me violentou.
O texto toca em algo muito importante. Há, de fato, uma tendência no discurso vigente em colocar o usuário com mera vítima inocente dos algoritmos. É inegável o seu poder. Não se discute. Porém, é inegável que nós também podemos assumir minimamente o controle do que nos é passado com pequenas práticas. Quer dizer, há uma espécie de mão dupla aqui.
Claro que é muitas vezes difícil atuar com "racionalidade" diante de um turbilhão de estímulos, mas é algo a se pensar.
Eu só posso tentar imaginar como é depender de rede social pra tirar o ganha pão. Deve ser horrível.
Também lembrando da Legião Urbana, chega uma hora que o uso desmedido das redes nos transforma em "uma cópia do que faço"
No mais, boa mudança!
Sim! Desde que comecei a trabalhar com as redes tenho sentido isso! É horrível!
Vejo muito isso, sempre penso pq será que a pessoa tem tanto seguidor se o conteúdo é meio bobo... tipo a americana que só faz gororoba de enlatados. Eu sou dessas que fez a limpa, não sigo nem parente, vou seguir gente que eu nem conheço só pela fofoca, eu heim!
Muito bom texto, amiga!!
Texto muito bom. Brigado!